quinta-feira, 26 de abril de 2007

Jornal O SOL

Luanara Damasceno

Setembro de 1967, nasce no Rio de Janeiro o jornal-escola O Sol, uma experiência, que apesar de efêmera, seria única no jornalismo brasileiro. Seu idealizador, o jornalista, poeta e artista plástico Reynaldo Jardim deu o pontapé inicial e lançou o desafio de juntar profissionais e estudantes das Ciência Humanas numa redação para colocar diariamente a cada manhã “O Sol nas bancas de revista...” e encher de alegria e preguiça a vida dos cariocas, como cantou Caetano Veloso.

A equipe de profissionais do novo jornal realizou concurso destinado a selecionar 30 estudantes dos cursos de História, Letras, Ciência Sociais e Comunicação, que naquele momento não poderiam imaginar que revolucionários de sua época para assumirem o posto de estagiário. Na lista de aprovados, Sérgio Norman Gramático, um estudante ousado e politizado que cursava o primeiro ano de jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e acreditava que, para vencer na vida, nenhuma oportunidade poderia ser desperdiçada.

O Sol “brilhou” num período em que o Brasil vivia o pós-golpe militar de 64, a tensão das passeatas estudantis, a efervescência dos festivais de música e o AI-5. E para relatar de maneira crítica e independente todos os fatos importantes deste período e agitar o caldeirão cultural carioca lá estavam os “meninos e meninas do Sol” como ratifica o professor Gramático: “O Sol surgiu num momento extremamente importante não só no contexto nacional como internacional. Os anos 67 e 68 foram anos extremamente efervescentes e nós fizemos parte de uma juventude que não teve paralelo anterior nem posterior; uma juventude singular...”

Gramático iniciou sua carreira na editoria de polícia que era comandada por Carlos Heitor Cony. Mas quem pensa que os episódios policiais e as notícias do dia-a-dia terminavam sua trajetória no exemplar vendido no dia seguinte, engana-se. Alguns deles viravam crônicas nas mãos do talentoso estagiário. Como a história de um homem que, após sofrer dores de cabeça, suores, calafrios e passar por inúmeros tratamentos, descobre após muitos anos que sofria do “mal do colarinho”, pois vestia camisa com o colarinho um número menor que o seu, é um exemplo do lado cronista do repórter. Hoje, o professor Gramático lembra com carinho da sua passagem pelo Sol e afirma que foi extremamente válido e muito importante para a formação do seu caráter profissional. Ele, que acompanhou O Sol desde o nascer ao pôr, diz que deveriam existir outros “Sóis” para que os jovens pudessem vivenciar esta experiência.

“Quando o Sol fechou suas portas, um grupo fundou o Pasquim, outros foram para as revistas da época como O Cruzeiro. Outros mais combativos acabaram pagando um preço alto, foram presos, torturados e exilados”.



O Sol nas telas de cinema (Assista ao trailer)

A voz de Caetano e, “caminhando contra o vento”, fotos, muitas fotos das belezas cariocas, artistas brasileiros e mazelas de uma época, tudo girando para terminar num mergulho sedutor dentro da bebida que faz parte da vida de praticamente todos os brasileiros, o café. Assim começa o documentário “O Sol, caminhando contra o vento”, da premiada diretora Tetê Moraes e da jornalista Martha Alencar, sobre o jornal-escola, O Sol . A obra é uma verdadeira aula de história e um retrato apaixonante da geração de 68. O filme entrelaça depoimentos de várias personalidades do País que fizeram parte do jornal, como Caetano Veloso, autor da música que se transformou em hino do Sol, Chico Buarque que na época era cartunista, Zuenir Ventura, Beth Faria, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Daniel Azulay que era responsável pelas aventuras do Capitão Sol e Ana Arruda Callado, editora-chefe, que afirmou durante debate ocorrido no dia 28 de setembro, segundo dia de exibição do filme no Festival do Rio, que “O Sol foi a melhor coisa que fiz na vida”. E que todos que passaram pelo Sol queriam mudar o mundo e continuam querendo. Martha Alencar disse que “fazer o filme foi um reencontro com a paixão”, algo, segundo ela, “bastante esquecido”. Tetê Moraes disse que “não queria fazer um filme só sobre o Sol e sim contar a história de pessoas”.


Fonte: Jornal Laboratório* - http://www.facha.edu.br/publicacoes

*Jornal produzido por alunos de comunicação da FACHA - Faculdades Integradas Helio Alonso.

3 comentários:

pc guimarães disse...

eleza! B
embrei L
e mais dois jornais alternativos d:
"Lampião", pros gays, editado pelo Aguinaldo Silva e
"Beijo na Rua" pras putas.
Posso ajudar o grupo.
pc

pc guimarães disse...

Estive aqui no sábado. Por que vcs não trocam o logo da FACHA pelo logo do Jornal Laboratório na matéria sobre o jornal O Sol?

bandas disse...

muiro obrigado essa histiria do jornal o sol , meajudou muito na analise a musica alegria alegria de caetano veloso.